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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Fractura Digital - Jornal A PÁGINA

E continuando em sintonia com a aula do dia 18 da Professora M.ª João Gomes...

"Formar para um mundo...que já não existe" é o título de uma notícia publicada no Jornal A Página, edição de Janeiro 2008, da autoria do Professor Manuel Pinto, Coordenador do Projecto Mediascópio: Estudo da Reconfiguração do Campo da Comunicação e dos Media em Portugal - Universidade do Minho.  A actualidade do documento obriga-nos a reflectir: Estaremos de facto a preparar os nossos alunos para um futuro que não existe?

Leia-se ainda um documento publicado em http://noticia.nesi.com.pt/?p=365, em Novembro de 2006 (acedido a 20 de janeiro de 2008)por Vitorino Seixas:

 

 

"Imigrantes Digitais

Durante décadas Portugal foi um país de emigrantes, de tal modo que não é estranho encontrar portugueses nas regiões mais recônditas do globo.
Contudo, nos últimos anos, o fenómeno inverteu-se com o acolhimento de milhares de imigrantes dos países de expressão portuguesa e, mais recentemente, dos países do leste europeu.
Tal como aconteceu com os portugueses que organizaram a sua vida noutros países, também os imigrantes que trabalham em Portugal pretendem ter uma vida melhor e alcançar aquilo que nos seus países não era, ou parecia impossível atingir.
Mas, salvo raras excepções, a integração nos novos países é um processo complexo e longo, que nunca parece estar concluído. Para enfrentar as dificuldades da integração, as comunidades organizam-se em associações, clubes ou casas que visam ajudar os imigrantes e manter os laços com a pátria ou região.
É evidente que a integração não é igual para todos. Os mais jovens, que muito cedo começam a frequentar a escola, conseguem uma integração mais fácil. Estes, aprendem a falar a nova língua sem sotaque, enquanto os seus pais dificilmente conseguirão falar sem sotaque, mesmo após vários anos. Basta observar os portugueses que emigraram para França, Alemanha ou Inglaterra, para confirmar o insuficiente domínio da língua do país onde vivem há mais de 30 anos.
Fazendo um paralelismo com esta situação, Marc Prensky, famoso pedagogo canadiano, escreveu o interessante artigo “Ouçam os Nativos”, onde introduz os conceitos de nativos digitais e de imigrantes digitais.
Nativos digitais, são os jovens que nasceram com a tecnologia e são fluentes na linguagem digital dos computadores, dos jogos e da Internet. Imigrantes digitais são aqueles que falam a linguagem digital com sotaque, e que revelam dificuldades em compreender e expressar-se digitalmente. Tal como os imigrantes que trabalham em Portugal, também os imigrantes digitais dificilmente conseguem falar sem sotaque.
Esta curiosa abordagem de Prensky chama a atenção para uma nova realidade: das fronteiras geográficas que dividem os países e as pessoas, passamos para as fronteiras digitais. Assim, na sociedade da informação e do conhecimento, é a fronteira digital que separa os nativos dos imigrantes. A grande diferença, no mundo digital, é que quem dita as regras do jogo são os imigrantes digitais e não os nativos como acontecia no passado.
Em termos de educação, esta mudança faz toda a diferença. Antes, a educação era pensada e gerida pelos nativos para os nativos. Hoje, a educação é pensada e gerida pelos imigrantes digitais para os nativos digitais. Pode parecer provocador colocar a questão nestes termos, mas se atendermos a que a maioria dos políticos e dos directores das empresas fazem parte dos imigrantes digitais, facilmente percebemos a complexidade da situação.
Neste contexto, cresce o número de especialistas que expressa a sua preocupação pelo facto do futuro da educação estar a ser pensado e gerido por imigrantes digitais. Será que estes conseguirão construir uma educação que satisfaça as necessidades e expectativas dos nativos digitais? Provavelmente não.
Senão vejamos. Segundo Prensky, o principal modelo de organização da educação é o rebanho, em que os estudantes são distribuídos por anos e turmas mediante critérios que não visam o seu benefício mas sim o da escola.
Neste modelo, é fácil constatar a falta de motivação e de empenho dos jovens enquanto estão na escola, atitude que muda radicalmente logo que saem da escola e se envolvem nas suas vidas digitais. Fora da escola, os jovens podem escolher os grupos de interesses em que querem participar e construir as suas próprias “turmas” de aprendizagem informal.
Neste processo de aprendizagem, os jovens utilizam a mais importante ferramenta do século XXI, o telemóvel, cada vez mais enriquecido com novas funções. Até há pouco tempo era um mero telefone móvel com SMS, câmara fotográfica e vídeo. Hoje, já incorpora wi-fi, Internet, mail, office, gráficos e GPS. Num futuro próximo, incluirá reconhecimento de voz, leitores de impressão digital e televisão.
Com uma ferramenta tão poderosa não é de estranhar que a aprendizagem “apaixonante” aconteça no período “após a escola”. Para Prensky, o meio tempo formal na escola está a tornar-se irrelevante em termos de aprendizagem para o futuro, com a escola a ter como única missão proporcionar aos estudantes o diploma que os pais dizem que eles precisam.
No século XXI, a escola tem de ser mais do que um armazém de estudantes enquanto os pais trabalham. Não deixa de ser curioso que os cookies do computador de um jovem saibam mais sobre os seus interesses do que os seus professores, ou mesmo os seus pais.
Por outro lado, a escola mantém os curricula do passado, deixando de fora as disciplinas do futuro como a nanotecnologia, a bioética, a genética e a neurociência. A aprendizagem destes temas inovadores e atractivos é feita fora da escola, de modo informal. Em síntese, a escola está virada para o passado e os jovens (nativos digitais) para o futuro.
Mas, como se pode alterar este paradigma? Prensky, defende a necessidade de ouvir os nativos digitais para identificar as competências necessárias para o século XXI. Para os nativos, as ferramentas tecnológicas são como extensões do seu cérebro que servem para comunicar, pesquisar, partilhar, trocar, criar, socializar, comprar e vender, programar e, obviamente, aprender.
A escola tem de integrar na aprendizagem as ferramentas tecnológicas que os estudantes utilizam diariamente e os educadores, na sua maioria imigrantes digitais, não podem continuar a decidir pelos estudantes. Se a situação se mantiver, a escola corre o risco de, a prazo, se limitar a administrar os edifícios escolares, em virtude dos estudantes estarem mentalmente ou fisicamente ausentes.
“Temos de preparar os jovens para enfrentar o futuro, não o passado” (A. Clark) "


publicado por sandraroma às 18:26

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1 comentário:
De livia neiva a 23 de Setembro de 2008 às 14:59
Excelente reflexão.
Em Goiás estamos trabalhando com uma pesquisa sobre o ensino médio e nos deparamos exatamente com isto: os jovens não estão nem aí porque estão em outra. e a escola com seus velhos gestores precisam se abrir a esta nova compreensão.


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